Barcelona by Dummy

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Segunda-feira, Outubro 27, 2008

 
Consideraçöes bananais
Já ouviram falar em cansaço moral? Aposto que existe, mas eu acabei de inventar o termo. Estaria mais preocupado se o sentisse pela primeira vez, o que näo é o caso. Enfim, me livrarei do Orkut pra cair no Facebook? O Facebook, rapaz, näo é um Tamagochi. Foi o que me salvou a noite. Cansaço moral é o que te mói a criatividade, é o que te faz cagar na ortografia (olha a boca suja), é uma das três coisas, além da gripe, que te joga na cama mas näo te deixa dormir. Cruzarei o limiar de 2009 invicto?
posted by Paulo 8:03 PM
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Quarta-feira, Outubro 15, 2008

 
Gringos falantes
Estudar numa sala "multinacional" é um bom exercício de diplomacia. Além de se controlar pra näo ofender de graça um colega de outro país, tem que se controlar pra näo se irritar com as opiniöes alheias. Os preconceitos com outros povos e os estereótipos em relaçäo aos países estäo muito arraigados, pelo menos percebi que estavam em mim. Muito disso se deve, imagino, à falta de contato constante com estrangeiros. E à ignorância. Pra ficar num exemplo pequeno e exótico, o aluno basco da classe deve estar cheio de ouvir perguntas sobre o ETA. Se a curiosidade sobre o assunto é natural, deveria ser também natural o tato pra näo encher o saco do cara com o tema a toda hora. Com os portugueses o problema é a caricatura que fazemos deles no Brasil. Normalmente säo muito simpáticos. Pois. Mas das primeiras vezes é difícil näo achar graça no sotaque luso e em algumas palavras que eles usam.

A imagem que nos chega no Brasil dos latino-americanos é a mesma que o mundo tem do Brasil. Gente subdesenvolvida e ignorante. Imagem estúpida o suficiente pra alguns universitários brasileiros se surpreenderem com bolivianos, equatorianos e paraguaios bem mais preparados do que eles próprios. E atualmente penso duas vezes antes de dar alguma opiniäo favorável a Hugo Chávez quando há um venezuelano na sala. Mesmo que seja um venezuelano de esquerda. Muitos odeiam el presidente (ou pelo menos o que o presidente tem feito no país) e suponho que sentindo o problema desde dentro se tem mais propriedade pra opinar do que um palpiteiro de fora. Também tenho que ter paciência pra ouvir opiniöes estereotipadas sobre a Amazônia e a pobreza no Brasil. E me segurar quando um espanhol diz algo crítico sobre a "multidäo de imigrantes" que estäo invadindo o país.

Mas, por estranho que pareça, quem me dá mais "pena" é a garota americana da turma. Tem que escutar calada todas as brincadeiras e críticas aos EUA (inclusive por parte dos professores), porque o mundo inteiro sempre tem alguma coisa a dizer contra os americanos. Ninguém se toca.
posted by Paulo 4:55 PM
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